Quando o fim é melhor do que o começo?

Quando o fim é melhor do que o começo?

O jovem pai iniciou sua jornada. “O caminho é longo?”, ele perguntou. O mentor disse: “Sim, o caminho é longo e duro. Você estará bem velhinho antes de chegar ao fim dele. Mas lembre-se de uma coisa; o fim será melhor do que o começo”.

O jovem pai estava tão feliz que não podia acreditar que qualquer coisa poderia ser melhor do que aqueles anos. Ele brincava com seus filhos e os ensinava seus esportes favoritos; desde andar de bicicleta até contemplar uma noite estrelada para contar as estrelas. Ele os ajudava a ter apreço pela natureza e admirar as plantas e as flores ao longo do caminho. Juntos, se divertiam nas águas cristalinas dos riachos e o sol brilhava sobre eles. A vida era tão boa, e o jovem pai exclamava; “Nada, jamais poderá ser melhor do que isso!”.

Então a noite veio e um temporal bateu e o caminho escureceu. Seus filhos tremeram de medo e frio. O pai os trouxe para bem pertinho de si e os abraçou com um manto que cobria e protegia as crianças. Naquela noite, os filhos disseram: “Ó pai, nós não estamos mais com medo, pois o senhor está perto e nenhum mal pode nos sobrevir”. E o jovem pai disse: “Isto é melhor do que o brilho do dia, pois hoje, meus filhos foram ensinados o que significa ter coragem”.

Na manhã seguinte, eles tinham uma grande montanha diante deles. Os filhos começaram a se cansar enquanto subiam. O pai também estava cansado, mas ele dizia o tempo todo aos filhos: “Um pouco mais de paciência e logo chegaremos ao topo desta montanha”. Assim, os filhos escalaram e ao chegarem ao topo, disseram: “Não teríamos conseguido sem você pai”. E o pai, quando se deitou naquela noite debaixo do céu estrelado disse: “Hoje, com certeza, foi melhor do que ontem, pois meus filhos aprenderam a ter força diante dos desafios. Ontem eu lhes dei coragem, hoje eu lhes dei a força”.

No dia seguinte, os ventos sopraram nuvens estranhas que escureceram a terra – nuvens de guerras, ódio e destruição. Os filhos tatearam e tropeçaram e o pai disse: “Filhos, olhem para cima. Ergam os olhos para acima das nuvens. Olhem para a Luz”. E os filhos olharam e viram, acima das nuvens, a Glória Eterna e ela os guiou, e, assim foram conduzidos com segurança na travessia pela escuridão. Naquela noite, o pai disse: “Este, com certeza, foi o melhor dia de todos, pois, hoje eu mostrei Deus aos meus filhos”.

E os dias se passaram, e as semanas e meses se foram e o pai envelheceu. Agora, depois de muitos anos, ele estava pequeno e curvado, porém, seus filhos eram altos e fortes. Seus filhos andavam com coragem e quando o caminho era duro, eles estavam ali ao lado do pai para ajudá-lo. Quando o caminho era cheio de obstáculos, os filhos o erguiam e carregavam-no, pois ele estava tão leve quanto uma pena.

Finalmente, chegaram a um monte e lá de cima, enxergaram uma estrada que reluzia com um brilho intenso. Ao olharem, viram um grande portão de ouro que estava escancarado. E o pai disse: “Filhos, cheguei ao fim da minha jornada. Agora sei que o fim é melhor do que o começo. Hoje vocês têm a força, a coragem e a sabedoria para caminharem sozinhos e para conduzirem seus filhos.

E, ali parados enquanto observavam, o pai caminhou sozinho rumo ao portão que se fechou após ter entrado. Os filhos se entreolharam e disseram: “Embora temporariamente não possamos vê-lo, ele continuará conosco para sempre. Um pai como o nosso é mais do que uma simples lembrança. Ele é uma presença viva no nosso meio”.

Antenor Gonçalves